Wednesday, May 18, 2011

Previsão

Quando a casa era "casa" não havia dúvidas. A vida era uma telenovela e no fim os maus iam-se embora e tudo acabava bem.
Só que, a casa nunca foi "casa" e aos dez anos fiquei sem as minhas fadas-madrinhas. Já tarde, percebi que os príncipes são homens. Mais tarde, o nascimento de novos membros na família não alterou atitudes de ninguém. Morreram heróis que, por certo, ficaram para a história, mas ninguém mudou por causa deles.
Chorar? Estamos todos fartos de chorar.
Gritar? É proibido, porque incomodamos os outros.
Eventualmente, a mudança acontece com atitudes radicais. Tomamos riscos que podem correr bem ou mal.
"Se viveres fora do teu país durante algum tempo, vais alterar muito daquilo que és. É isso que tu queres?" - Oh, mãe! É isso que eu quero já há tanto tempo! Mas, não te preocupes, ainda vai demorar até isso acontecer, se é que vai acontecer.
Por agora, sou a favor de todas as mudanças, de todas as loucuras (controladas), de todos os precipícios ao lado do meu caminho aos "esses".
Não sei o que diga mais. Não sei o que escrever. Não sei onde ir, se deva rir muito ou pouco; se deva chorar ou não.
Oh, mãe! Estou tão aborrecida com o calor que faz no meu quarto, com a escuridão do campo, com o silêncio da praia em dias frios. Oh, bolas! Mas de quem é a culpa e o que fazer?
Querida mãe, prepara-te - estás preparada? - É que vou cada vez ficar mais longe. Não, não, não, nunca te vou deixar ou abandonar. A vida é que nos leva a querer viver e nós, loucos (excêntricos!), fazemos-lhe a vontade.
Desculpa, mas estou cansada de obedecer à casa que não é "casa" e ao calor do meu quarto (imagina lá tu, que nem posso abrir os estores durante o dia, se não o meu quarto fica um forno! e uma vista tão bonita que tem a minha janela).

Mas, não te preocupes, ainda vai demorar até me lançar aos leões.

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