Não é uma história nova. Está podre de existir.
Não sei o que te diga.
Delicadamente, enrolamos os nossos braços até estarmos colados. E muito baixinho, no ouvido um do outro, dizemos atabalhoadamente tudo o que nos vem à cabeça. As paixões, os desejos, os medos, as angústias, as flores, os cabelos ao vento, o sol, o calor, a chuva de verão, as trovoadas, os corações, as mãos dadas, os círculos perfeitos, as linhas da vida, os projectos. tudo. E depois um pára de falar. E a seguir pára o outro. E sabes quantos anos tenho? Os mesmos que eu. Os mesmo que toda a gente. Não, não. Sabes mesmo quantos anos tenho? Tens os que te apetecer. E desenrolamos os braços.
Não sei o que te diga.
Olhos confrontam olhos.
Não sei o que te diga.
Quantos anos tens? Acho que 20. Acho que 12. Acho que 7. Acho que 6. Não sei. Não sei.
Olhos confrontam olhos. Tens olhar de 22. Tens mãos de 25. Tens pernas de 20. Tens bochechas de 16. Quantos anos tens na verdade? Não sei. Escolhe tu.
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