Não tenho grandes ilusões quanto ao meu futuro. É verdade, sonho muito, mas também sou tão terra-a-terra quanto não devia.
Tenho um coração feito de vidro e não sei o que fazer dele. Não está baço, mas precisa de um bom limpa vidros para lhe tirar o pó.
Não há casa. Não há lar. Não há ídolos. Não há paixões. Não me dão sequer oportunidade para haver paixões.
Sou Eu. Sou muito Eu. Demasiado Eu. Cada vez mais independente, estranhamente independente. Sou Eu e é só.
Eu não me importo. Eu choro e rio - rio mais do que choro - e danço muitas vezes - mais vezes sozinha que acompanhada, mas danço.
A minha mãe ensinou-me, há pouco tempo, o valor da partilha. Disse-me que só se eu partilhar as minhas angústias - por mais insignificantes e infantis que sejam - é que vou ter paciência para ouvir os outros.
Custa, é claro que custa. E, disse-me uma das minhas irmãs, "vai custar cada vez mais". É que a 'Estrada dos Tijolos Amarelos' que dá acesso ao coração, à coragem, ao cérebro e ao caminho de regresso a casa, está cada vez mais suja e o amarelo tornou-se castanho nalguns sítios. Cabe-me combater bruxas e obstáculos que surjam pelo caminho, mas é cada vez mais difícil. E eu, que me julgava a melhor entre tantos, estou a perder a confiança em mim.
O discurso é negativo, mas é partilha. E eu sou feliz e tenho tanta coisa, a maior parte por luta minha. Mas há uma fase de cansaço em que tudo à volta parece insignificante e só proferindo discursos disparatados como este, é que alivia a tensão.
Os 22 revelam-se bem mais pesados do que o que eu esperava.
Venham os vestidos curtos às flores para aliviar a tensão. E as danças e cantorias no meio da rua.
Marta dos vestidos às florzinhas...canta e dança muito, no meio da rua e em todos os lugares! 22 pode ser um número mágico. E a vida é como os truques dos ilusionistas no palco, só é mágica quando não entendemos tudo. :) Lança o dado e deixa-te ir...;)
ReplyDeletePedes-me um tempo,
ReplyDeletepara balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..
Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.
Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...
Pedes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.
Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar.
E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração.
Tu tens paixões... Tantas que nem imaginas! Já te ouvi falar delas, só tu é que não sabes que elas são paixões, mas são!
ReplyDeleteGira* o que tem que ser é, sem que esteja nas nossas mãos idealizá-lo, imaginá-lo ou concretizá-lo. Há coisas que não são dependentes da nossa vontade para acontecer...